| 25-Março-2008, 16:17:19 |
Somaliland: independência ou morte

Desde 1991, a República de Somaliland vive como um país independente. Tem presidente, eleições diretas, moeda própria, hino, bandeira, forças de segurança e até passaporte para seus cidadãos. O único problema é que nenhuma outra nação do planeta reconheceu até agora sua existência.
Explicando melhor: Somaliland fica no norte da Somália (veja mapa acima), país africano considerado o mais caótico do mundo e onde não há um governo central desde 1991, quando o sanguinolento presidente Siad Barre foi deposto por clãs rivais. Ex-colônia britânica, Somaliland se uniu à ex-colônia italiana Somália logo após sua independência, em 1960. A união dos dois territórios foi uma catástrofe desde o início, e Siad Barre perseguiu e exterminou grande parte dos Somalilanders, considerados rivais. Acredita-se que, entre 1983 e 1991, Barre tenha mandado matar mais de 50 000 pessoas no norte do país, que hoje ostenta o triste título de região com a maior densidade de minas terrestres do mundo.
Diferentemente da parte sul, em Somaliland os clãs não se digladiam por poder e, desde a independência, o “país” vive em relativa calma. Sem contar com nenhum apoio de governos internacionais ou consultoria de ONGs de primeiro mundo, os Somalilanders buscaram em suas tradições várias boas soluções para acabar com a guerra entre clãs locais. Uma delas é uma espécie de parlamento, o Guurti, formado por líderes anciãos, que têm como uma de suas funções convencer os jovens a se desarmarem e se unirem pelo bem do país (veja abaixo foto de integrantes do Guurti).

O maior problema de Somaliland segue sendo sua falta de reconhecimento pela comunidade internacional. Sem isso, o país não consegue entrar em acordos internacionais, ser beneficiado por auxílios a nações mais pobres dados pela ONU ou outras instituições mundiais, não consegue atrair investidores e, o pior de tudo, segue sendo apenas uma espécie de “terra do nunca”, onde o passaporte existe, mas não serve para nada na prática.
Os Somalilanders estão cansados de guerra e só querem viver em paz e com dignidade. Merecem respeito, consideração e apoio da comunidade internacional – ou seja, dos países ricos e também de todos nós. |
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| 02-Abril-2008, 15:10:12 |
Epidemia de estupro faz do Congo o pior lugar da Terra

Do tamanho da Europa ocidental, a República Democrática do Congo é um dos países com maiores recursos naturais de África. Tem diamantes, cobre, cobalto e uma infinidade de outras riquezas que facilmente poderiam fazer da nação uma potência regional. Infelizmente, o Congo sofre do que se costuma chamar de a “maldição dos recursos naturais”. Há anos governos corruptos e milícias sanguinárias transformaram o país na melhor versão terrestre do inferno, onde atualmente se concentram as maiores atrocidades cometidas contra seres humanos no mundo.
Na parte leste do país, especialmente na região de Kivu (veja mapa abaixo), uma “epidemia de estupro” tem atingido milhares de mulheres – algumas com menos de 4 anos de idade. Segundo a ONU, só em 2006 cerca de 27 000 mulheres foram vítimas de violência sexual em Kivu, e a própria organização internacional admite que o número oficial provavelmente se refere a apenas uma pequena parte das vítimas.

Um documentário chocante, “The Greatest Silence: Rape in the Congo”, acaba de ser lançado e traz entrevistas com mulheres que não só foram estupradas por grupos de mais de 20 homens, mas que tiveram de assistir seus maridos e filhos serem assassinados durante ataques a vilarejos. Feito por Lisa F. Jackson, o filme mostra ainda entrevistas com os estupradores, que admitem com naturalidade em frente à câmera como o estupro se tornou banalidade no país. Um deles, membro do exército congolês, diz que “estuprar dá força ao espírito e ajuda na guerra contra os inimigos”.
Um dos personagens mais sensacionais do filme é uma policial que cuida, ao mesmo tempo, dos casos de estupro e de abusos a crianças em Kivu. Ela trabalha sozinha, sem nenhum apoio maior do governo e tem muitas vezes de pagar o próprio transporte para se deslocar até os pequenos vilarejos e entrevistar as vítimas.
O presidente Joseph Kabila não faz nada para colocar um fim na situação, e o Conselho de Direitos Humanos da ONU recentemente não renovou o mandato de seu expert para o Congo. Ou seja, nem o governo local e muito menos a comunidade internacional ligam para o que acontece por lá.
Enquanto isso, mais e mais vítimas padecem em um dos mais vergonhosos massacres contra mulheres da história da humanidade. |
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| 08-Abril-2008, 17:11:49 |
A bioparanóia de Bush coloca você em risco

Desde 9/11, a administração Bush vem gastando oceanos de dólares para desenvolver projetos de biodefesa com o objetivo de proteger a América de supostos “bioataques” com vírus, bactérias e outros organismos com poderes destrutivos. Desde 2001, o país já desembolsou mais de 40 bilhões de dólares para criar formas de se defender dos “bioterroristas”.
Além de espalhar pelas maiores capitais caríssimos sensores que detectam agentes patogênicos em segundos e outras invenções mirabolantes, Bush está construindo diferentes tipos de laboratórios com a finalidade de pesquisar organismos que podem ser usados para destruir a América.

Com a desculpa de que a América precisa ser protegida a qualquer custo, Bush virou as costas para a Convenção de Armas Biológicas, que entrou em vigor em 1975 e que proíbe qualquer tipo de projeto de desenvolvimento de agentes biológicos cujo objetivo não seja pacífico.
Especialistas que se opõem aos projetos de Bush dizem que as pesquisas desses laboratórios serão feitas em segredo e sem nenhum tipo de monitoramento para verificar se serão conduzidas com ética e cuidado. Outros afirmam que Bush está dando péssimo exemplo e que isso abre caminho para uma “corrida biológica” em que os demais países se sentirão na obrigação de seguir a mesma linha (incluindo governos “gente fina” como China e Irã). Um expert americano em biosegurança diz ainda que há grandes chances de as descobertas das pesquisas caírem em mãos erradas e que o mundo todo pode pagar caros pelas megalomanias de Bush e cia.
Cientistas de toda a América vêm denunciando a política de Bush de aterrorizar a população para que seus projetos milionários de biodefesa sejam aprovados sem protestos, acrescentando que um ataque bioterrorista das proporções que o presidente norte-americano tanto aguarda é bem pouco provável.
Para que os Estados Unidos se protejam, o planeta inteiro tem de assumir os riscos. Obrigada, Bush, por ser um cara tão bacana. |
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| sobre o blog |
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Neste espaço a jornalista Erika Sallum escreve para quem acha que é possível construir um mundo melhor, onde todos vivam com mais dignidade, respeito e alegria. O blog estréia do Chade, nação da África central que figura entre os lugares mais pobres e turbulentos do planeta - e para onde Erika viaja como parte de sua tese de mestrado em direitos humanos na Universidade de Nova York. |
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